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COMO E POR QUE APLICAR O EAD NO NOVO ENSINO MÉDIO

Atualizado: 16 de mar. de 2023

Neste artigo, vamos explicar como será o formato EaD para o Novo Ensino Médio. Porém, antes de mais nada, temos que dar um passo atrás e refletir no perfil da atual geração de estudantes.


Para criar uma solução educacional que realmente transforme e gere valor na sociedade, precisamos entender quem é o público do Novo Ensino Médio, seus comportamentos, hábitos, valores e ambições futuras. Continue lendo para entender a relação entre o formato EaD do Novo Ensino Médio e o perfil dos seus alunos!


Quem é a atual geração do Ensino Médio?


O digital já era uma tendência crescente em toda a sociedade, inclusive na área da educação. Dessa forma, a pandemia de Covid-19 só mostrou o quão necessária e urgente é a implementação das ferramentas tecnológicas entre as metodologias de ensino.


Nesse contexto, os próprios alunos buscam por inovações e práticas coerentes com a realidade atual. Afinal, eles fazem parte do que os sociólogos classificam como Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) e já nasceram em um mundo dominado pela tecnologia.


Não é por acaso que esses jovens são chamados de nativos digitais. Eles nunca viveram uma vida sem internet de alta velocidade e tecnologia avançada, o que os deixou familiarizados com o universo digital.


Além disso, naturalmente, alguns jovens entre 10 e 25 anos já apresentam um grau de maturidade mais elevado. Isso porque eles estão em fase de tomar decisões, como a escolha da profissão que vão seguir, qual faculdade cursar etc. Eles também estão se conhecendo cada vez mais e firmando os próprios valores.


Por isso, nesse momento, é fundamental que seu protagonismo e sua autonomia sejam estimulados e encorajados.


Como deve ser o conteúdo digital para a Geração Z?


Segundo a pesquisa The Next Generation of Learners, encomendada pela empresa de ensino digital Pearson, 59% dos alunos da Geração Z querem estudar com a ajuda do YouTube, mas 78% querem estudar com a ajuda de um professor.

Como os estudantes de hoje são nativos digitais, é necessário pensar em soluções educacionais de conteúdo digital que sejam facilmente utilizadas em celulares e tablets.


Possibilidades de formatos EaD no Novo Ensino Médio

Sala de aula invertida


Essa é uma metodologia que tira o aluno e o professor da “zona de conforto”. Com esse método, o objetivo principal é dar espaço para a autonomia do estudante.


Na sala de aula invertida, espera-se que os papéis dentro de sala sejam (quase) invertidos: o estudante faz a pesquisa prévia do conteúdo a ser abordado em sala e usa o professor como um facilitador na sua jornada de aprendizado.


Todo o conteúdo da disciplina é disponibilizado virtualmente para os alunos buscarem e absorverem as informações. Assim, eles se preparam e vão para a escola com um repertório introdutório sobre o tema a ser estudado em sala.


O papel do professor é estimular os debates entre os alunos, ajudar na resolução de dúvidas e direcionar o aprofundamento ao tema com explicações mais específicas.


Ensino híbrido


o ensino híbrido é uma mescla do ensino presencial e online. Nesse sentido, o aluno precisa realizar tarefas por meio virtual e se comunicar com colegas e professores ou tutores. Isso exige que a escola tenha necessariamente um AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem).


Para organizar essa etapa virtual, o professor pode organizar videoaulas, deixar tarefas disponíveis dentro do AVA, criar fóruns para estimular o debate entre os alunos, deixar disponíveis vídeos, notícias e palestras para autoestudo. Mas atenção: é preciso auxiliar os professores no uso do AVA, a fim de que eles entendam as funcionalidades da plataforma e façam uma boa utilização dos recursos disponíveis.

O objetivo do ensino híbrido é combinar o formato presencial com o online para criar pontes que facilitem a aprendizagem do aluno.


Cursos eletivos 100% online


Os cursos eletivos têm abertura para abordar incontáveis temas, desde que estejam alinhados às necessidades dos estudantes e sejam guiados pelos eixos estruturantes dos itinerários formativos. Para garantir um maior engajamento dos alunos, é possível utilizar os seguintes materiais na estruturação dos cursos eletivos:

  • videoaulas (em diversos formatos);

  • podcasts;

  • quizzes.

Um dos formatos que está em alta é o de agile learning alinhado ao conceito de gamificação (bem difundido pelo app de línguas Duolingo e app de cursos Google Primer).


O formato do agile learning separa as aulas em pequenos momentos, seguidos de atividades como quizzes para ajudar na memorização de conteúdos. Alinhado à gamificação, esse método permite que o aluno acumule “pontos” e ganhe recompensas dentro do AVA a cada resposta certa.


Com a sensação de estar jogando dentro de um ambiente virtual, o engajamento do aluno no curso escolhido aumenta, o que interfere positivamente na experiência de aprendizado.


Assuntos que estão em alta no interesse dessa geração são os temas ligados à inteligência financeira, criatividade e ao empreendedorismo.


Por que implementar o EaD na minha escola?


Entre as 10 competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a cultura digital é a competência número 5 e tem como objetivo incentivar o bom uso das tecnologias.


Ao listar a cultura digital dentro das 10 principais competências essenciais para o Novo Ensino Médio, a BNCC reconhece o importante papel do digital e estabelece que o estudante deve desenvolver habilidades nesse universo.


É destacada a importância dessa competência para tornar os alunos não somente usuários, mas pessoas conscientes sobre a influência que a tecnologia tem na sociedade. Além disso, eles precisam ser capazes de compreender e utilizar as tecnologias de maneira crítica, significativa, reflexiva e ética. Vale ressaltar que a formação digital é peça-chave para os estudantes desenvolverem capacidade de se comunicar, acessar e compartilhar informações, produzindo conhecimentos, resolvendo problemas e exercendo seu protagonismo.


Infraestrutura necessária para implementar o EaD na sua escola


Carga horária


Quando as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio foram aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em 2018, criou-se a possibilidade de a escola optar pelo ensino a distância em até 30% na carga horária em cursos noturnos, 20% para educação diurna e até 80% para o EJA (Educação de Jovens e Adultos).


Na prática, isso representa 200h (6 aulas por semana) de maneira 100% digital na carga horária de cada série.


Na prática, pensando que o Ensino Médio diurno comum é de 5 horas diárias, por volta de 1 hora desse tempo pode ser em EaD.


Para o CNE, é preferível que se priorize o percentual de EaD para os itinerários formativos e eletivas, mas esse formato também pode ser aplicado com disciplinas comuns da formação básica obrigatória como, Português, Inglês ou Matemática.


Infraestrutura básica inicial


Quando pensamos em infraestrutura para EaD, a primeira palavra básica é tecnologia, pois ela é fundamental para a implementação desse formato de ensino. Mas não basta apenas implementar a tecnologia, também é necessário se preocupar com a qualidade do ensino.


A seguir, explicamos como implementar o EaD com qualidade:

  1. A internet precisa ser de alta qualidade e disponível para todos os envolvidos, seja por wi-fi ou cabo, em laboratórios de informática ou em espaços escolares comuns. Todas as atividades que envolvem educação a distância necessitam desse suporte, sem exceção.

  2. Os laboratórios de informática devem ser adequados para que professores e alunos tenham condições de acessar um computador com boa internet e desenvolver suas atividades EaD.

  3. É necessário ter um ambiente virtual para conectar professores e alunos e capacidade de realizar o acompanhamento adequado das atividades na modalidade a distância.

O EaD requer alguns cuidados e atenção especial no que diz respeito à própria navegação e administração do ambiente virtual para que o aluno se mantenha engajado e atuante.


O papel do professor no EAD


Os professores devem atuar como mediadores e facilitadores no processo de ensino-aprendizagem. Por isso, eles devem entender que, hoje em dia, não são os únicos detentores do conhecimento.


Além disso, é importantíssimo perceber que, assim como os alunos, eles também precisam estar em constante aprendizado para atualizar as habilidades exigidas na docência.


No EaD, a forma de se relacionar com o aluno é completamente diferente, pois não há mais contato direto como ocorre no modelo presencial. Isso porque não faz mais sentido que todos se sentem enfileirados olhando para frente.


Os espaços de aprendizado devem ser ampliados e promover as trocas entre os estudantes, fornecendo recursos como: livros, aplicativos, revistas, mapas, computadores, tablets, etc.


A sala precisa se transformar em um ambiente vivo onde todos estão ativos e contribuindo para que o aprendizado aconteça verdadeiramente.


De modo geral, para capacitar os professores, as escolas precisam investir na formação continuada dos professores. Assim, eles vão aprender a se portar nesse novo papel e se adequar não apenas ao repertório metodológico, mas à gestão e organização pessoal.


A nova escola e o futuro da educação


A transformação do Ensino Médio, assim como qualquer outra, não é uma tarefa simples, até porque nenhuma inovação está livre de equívocos. Por maior que seja o planejamento, há erros que precisam da nossa atenção para serem corrigidos e melhorados. Dessa forma, assim como os alunos e os professores, a escola precisa estar em constante atualização, se movimentando com o mundo para acompanhar as novas tendências. Uma dica valiosa para aumentar as chances de acerto é realizar testes iniciais. Isso diminui o risco e também cria oportunidades para um conhecimento mais profundo sobre todas as perspectivas do projeto e possibilidades de melhorias contínuas.


É possível, sim, criar um ambiente escolar abundante de novas oportunidades alinhadas às demandas do mundo moderno. Mas cuidado: nenhuma mudança será verdadeiramente efetiva sem planejamento e gestão eficiente.


Implementar uma política de EaD para o Ensino Médio não é tarefa fácil, pois leva em conta conceitos pedagógicos, fatores tecnológicos e culturais. É a primeira vez na história do Brasil que se tenta tal modalidade neste ciclo escolar com tanta amplitude e alcance.


O sucesso da implementação do EaD depende significativamente da gestão escolar, da gestão política e do apoio comunitário.


Esperamos que você tenha gostado do nosso conteúdo sobre o EaD no Novo Ensino Médio. Para saber mais sobre as possibilidades de aplicar esse modelo de ensino na sua escola, fale com um especialista!

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